"Gastei todas as minhas mentiras na paixão. Gastei todas as minhas verdades no amor. O que sobrou sou eu." Fabrício Carpinejar
sábado, 8 de setembro de 2012
Pelo Amor ou Pela Dor
Dizem que a raça humana só recorre à misericórdia divina diante de uma adversidade. Descobri a duras penas que isso é bem verdade. Deus tirou de alguém parte da capacidade de sentir a vida. E nós, as mulheres da família, só nos restou nos apegar a fé para que o inaceitável pudesse ser milagrosamente modificado. E eu, na minha ingenuidade quase infantil, busquei em meu pensamento aquilo que seria mais difícil de abrir mão, ainda que temporariamente, em troca de um bem maior. Hoje a promessa se cumpriu. Não como eu desejei, mas como tinha que ser. E pouco mais de 365 dias depois me privando de um tal prazer, descoberto pequeno com o passar desses dias, acho que aprendi a maior de todas as lições: nada na vida é tão importante que não possa ser substituído. Exceto as pessoas.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Pra dizer adeus
Tentei escrever para você algumas vezes, mas confesso que não foi fácil. As palavras se esgotaram. Qualquer coisa pode soar repetitivo e redundante. Andei repassando o que vivemos nesses últimos tempos e tentando entender o que foi que aconteceu com a gente. Não quero encontrar culpados, longe disso. Não quero mais remexer nessa história que já me remexeu por dentro de forma irremediável. Mas acho que toda boa história de amor, assim como foi a nossa, não pode morrer de inanição. Ela precisa de um pouco mais de água, ou talvez do tiro de misericórdia.
Encontrei você num momento muito particular, em que me sentia plena e feliz dentro das minhas possibilidades. Já havia passado por um sem número de relações vazias, que deram certo por um pequeno espaço de tempo da minha vida e parei de me questionar sobre o que eu poderia fazer para mudar a minha sorte. Ela já não importava mais nesse sentido. Trabalhar, curtir meus amigos e família, me divertir nos tempos livres, me cuidar física e mentalmente estava sendo suficiente. Não me faltava um amor. Paixões eu tinha de sobra e elas me bastavam, por ora.
Aí eu encontrei você. De uma forma errada, talvez, sem cavalos brancos e espada empunhada me prometendo o castelo dos sonhos. Longe disso. Encontrei você e toda a sua pureza de quem viveu a vida dentro do script imposto pela sociedade dita normal. Encontrei você pesado de regras, desejando mais da vida do que o café com pão de todas as manhãs. Encontrei você feliz com o pouco que havia conhecido do corpo, dos sentidos, dos infinitos sentimentos que existem no mundo, mas que você nunca havia se permitido viver até porque nem sonhava existir. E eu fechei os olhos e pulei. Vi em você uma pessoa de verdade, não um par de mãos querendo me consumir como um animal irracional. Vi em você alguém que não fazia idéia do que existia no mundo fora dos portões da sua casa dos sonhos, com cerquinha branca e um cachorro no quintal. E eu te apresentei um mundo novo, um mundo vivo, um mundo em que é possível ser jovem e feliz todos os dias. Um mundo em que amar não é pecado. Te apresentei um Deus misericordioso que sabe perdoar os seus filhos por eles simplesmente terem amado. E embarquei nesse mundo com você, onde o que não nos faltava era coragem de enfrentar o mundo para viver o nosso amor. Você me assumiu diante da sua família, dos seus amigos, eu te trouxe pro meu lado, te apresentei meu mundo e esperei. Simplesmente esperei. Nos prometemos mundos e fundos, coragens infinitas, vivíamos o amor na sua totalidade, sem medo de julgamentos, de barreiras geográficas e financeiras, nada mais era impossível para nós. Estávamos dispostos a deixar todo o nosso passado para trás para viver uma nova página da nossa vida, com promessas de eternidade.
Eu comecei a ver você na minha vida como o meu homem, o meu marido, o pai dos meus filhos, aquele para quem eu me guardava sem saber ao certo se viria. Eu comecei a combinar os nossos nomes e ver como eles ficariam perfeitos juntos. Eu te contei meus sonhos, meus segredos mais íntimos, comecei a enxergar sua morada como minha nova cidade natal. Você me deu prazos, detalhou ações, parecíamos estar sintonizados em cada passo que daríamos em direção à nossa nova vida. E foi aí que nos perdemos de nós mesmos.
Sabe, eu não culpo você. Também não me culpo. Talvez eu seja mesmo boba demais para ainda acreditar que na vida real nem todas as histórias de amor terminam com finais felizes. Talvez eu tenha mesmo acreditado demais em todos os planos que fizemos para nós e o coloquei como foco principal da minha vida. Afinal, ela parou no instante em que eu te conheci. Tudo podia esperar até o dia em que pensaríamos e viveríamos por dois, nunca mais por um só. Nós estávamos inteiros de corpo e alma nessa história e o que nos impedia de ficarmos de fato juntos era só um pouco de coragem de nossa parte. A minha está aqui. Guardada no meu peito, presa no meu pensamento como um plano de ação prático do que precisava mudar para que as coisas acontecessem. Minha mãe, meus irmãos, meus sobrinhos e meus amigos nunca vão deixar de ser meus, e eu entendi isso apesar de saber que a distância vai doer. Mas ter você grudado na minha mão me suportando com tanto amor me fazia ter certeza de que esse era o único caminho a seguir. Não haveria outro.
A sua coragem, não posso dizer. Só você sabe o que se passa no seu coração, no seu pensamento, as cobranças que você tem sentido na pele dentro de casa e até mesmo fora dela, da sua família e dos seus amigos. Só você sabe o que de fato acontece dentro dessas quatro paredes que eu nunca senti que havia invadido, mas que fui convidada a entrar por você. Você me convidou para entrar na sua vida e me intimou a viver uma nova vida com você. Nada aconteceu por pressão ou por acaso, somos responsáveis pelos nossos desejos e pelas nossas atitudes. Eu me despi de pudores, de consciência, entrei num estado de letargia onde só queria acordar quando tudo estivesse como planejamos. Mas a vida me trouxe de volta. E o meu corpo não aguenta mais. Ele reclama em forma de dores que nunca senti, em forma de noites que nunca perdi, em forma de obsessão que nunca imaginei alimentar por coisa alguma. E eu preciso me resgatar de volta.
Hoje eu só queria que você soubesse que eu sinto a cada dia a morte da nossa história se aproximar por total falta de alimento. Em cada mensagem não respondida, em cada resposta seca, em cada tentativa frustrada de manter as coisas vivas, em cada vontade de manter contato, abafada pela necessidade de espaço que surgiu de repente. Eu sei, eu entendo. A mim só resta entender. A sua decisão, que nunca foi maior que a minha, tornou-se grande demais além do que você pode suportar. E eu me despeço de tudo o que vivemos com a certeza de que fiz tudo que podia, que errei mais do que poderia, que me doei mais do que suportaria e que te enviar essa carta vai me dilacerar por dentro como nunca imaginei ser possível. A minha coragem, como sempre te disse, está aqui, inclusive de tomar por você a decisão que só poderia ser sua. Estou saindo da sua vida para tomar a minha de volta certa de que não há arrependimentos, tudo foi movido e guiado pelas mãos do amor. Te deixo livre para fazer o que julgar correto, afinal uma decisão como essa não pode acontecer sob pressão. Não quero exigir você na minha vida. Você tem que querer isso de todo o seu coração. E quem sabe, quando isso acontecer e você novamente me procurar, ainda seja tempo de viver a nossa história. Se isso não acontecer, esteja certo de que o que passamos nunca sairá de nossa memória e se tornará história nos ouvidos de nossos entes queridos, como algo lindo que vivemos, mas que infelizmente não teve força para se tornar realidade. E aí será tarde demais. Só nos restará amargar as memórias de uma vida que nunca teve coragem de ser vivida como deveria.
** Para o Pucus.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Sobre meninas e princesas
Eu sempre achei que sabia tudo sobre o amor. Desde muito novinha tive minhas paixonites infantis e para tudo dava o nome de amor. Achava que o amor era aquele peso no peito que eu sentia cada vez que conhecia um garotinho novo com potencial para ser o futuro pai dos meus filhos. Engano meu. Eu só vim conhecer o real significado dessa palavra quando ela entrou na minha vida.
Ela tem a pele do tom mais vivo que eu já vi na vida. Ela ri um riso fácil e sincero cada vez que me encontra e desde muito cedo aprendeu a atribuir esse sorriso à minha presença. Ela tem os cabelos lindos e longos e negros e lisos e odeia não ter loiros cachinhos como o da sua amiga Marília. Ela é forte, inteligente, não aceita não como resposta e fala coisas que até Deus duvida. Adora caranguejo, lagostinha, camarão e outras comidinhas regionais que aprendeu a apreciar desde cedo com a mãe. Do pai herdou a inquietude de habitar a própria pele, como se ficar quieta fosse perder um precioso tempo de vida. Ama brincar com suas bonecas mais do que qualquer coisa na vida e sonha com um irmão como quem pede um presente pro Papai Noel. É uma menina alegre, feliz da vida com pequenas coisas, mas se trouxer um presentinho a cada visita, ela aceita de bom grado. É hiperativa, astuciosa, inteligente até demais, fala pelos cotovelos, tem sempre uma opinião sobre as coisas e um temperamento forte como todas as mulheres da família. Pela falta de crianças por perto, aprendeu a brincar com os adultos e se esbalda com a vovó Lúcia quando sobra fôlego, com a Tia Andreza quando sobre coragem, com o Tio Bruno quando sobra paciência, com o Tio Hauryk quando sobre dinheiro pra passagem aérea. Comigo ela aprendeu a ser mulherzinha, a gostar de maquiagens, de combinar as roupas e os sapatos com a fivelinha do cabelo. E ela só sai de casa impecavelmente linda montada sobre suas saias e vestidos porque princesa não usa shorts e calças. E não insista. Ela jura que é a princesa de um conto de fadas, com direito a castelo e príncipe montado num cavalo branco.
Para ela nós guardamos todo o amor que jurávamos sentir, mas que só passou a existir de fato quando ela chegou. Para ela eu dediquei muito dos esforços da minha vida para poder sempre ficar por perto e ver cada vez mais o seu sorriso. Por ela eu vi meu pai amolecer o coração e chorar como menino pelo simples fato dela existir. Por ela eu vi minha mãe se deixar ser boba, porque faltava força pra ser qualquer coisa mais que avó. Através dela eu conheci Deus da forma mais pura que jamais imaginei conceber, porque ela é a prova de que o amor divino existe em forma da perfeita concepção da vida.
Ela nunca me pediu a benção, nunca me chamou de madrinha, mas foi confiada a mim como sua segunda mãe há muito tempo atrás. E eu que nunca quis ser mãe cheguei a me questionar se havia como amar alguém no mundo mais que a ela. E ela me fez querer ter os meus próprios filhos para que ela pudesse ter com quem brincar. E ela me olha de baixo dos seus um metro e pouco de altura e me mata do coração quando pergunta por que eu tenho que ir embora. E a mim só resta me despedir com lágrimas nos olhos e contar os dedos para o próximo final de semana chegar logo.
Quando eu era criança conheci as princesas dos contos de fadas dentro da minha fantasia, mas logo a vida que me amadureceu me ensinou também que princesas não existem. Mas a mesma vida que me fez entender a duras penas que contos de fadas são histórias para as crianças me trouxe a possibilidade de amar incondicionalmente um ser que se quer ao menos tem ideia da dimensão do amor que sentimos por ela. E se parar pra pensar direito, uma princesa é apenas uma menina de cabelo e rosto lindos, amada por todos, vaidosa, romântica e sonhadora que merece da vida uma felicidade eterna digna de conto de fadas. Exatamente como ela. A eterna princesa da minha vida.
Feliz Aniversário.
Ela tem a pele do tom mais vivo que eu já vi na vida. Ela ri um riso fácil e sincero cada vez que me encontra e desde muito cedo aprendeu a atribuir esse sorriso à minha presença. Ela tem os cabelos lindos e longos e negros e lisos e odeia não ter loiros cachinhos como o da sua amiga Marília. Ela é forte, inteligente, não aceita não como resposta e fala coisas que até Deus duvida. Adora caranguejo, lagostinha, camarão e outras comidinhas regionais que aprendeu a apreciar desde cedo com a mãe. Do pai herdou a inquietude de habitar a própria pele, como se ficar quieta fosse perder um precioso tempo de vida. Ama brincar com suas bonecas mais do que qualquer coisa na vida e sonha com um irmão como quem pede um presente pro Papai Noel. É uma menina alegre, feliz da vida com pequenas coisas, mas se trouxer um presentinho a cada visita, ela aceita de bom grado. É hiperativa, astuciosa, inteligente até demais, fala pelos cotovelos, tem sempre uma opinião sobre as coisas e um temperamento forte como todas as mulheres da família. Pela falta de crianças por perto, aprendeu a brincar com os adultos e se esbalda com a vovó Lúcia quando sobra fôlego, com a Tia Andreza quando sobre coragem, com o Tio Bruno quando sobra paciência, com o Tio Hauryk quando sobre dinheiro pra passagem aérea. Comigo ela aprendeu a ser mulherzinha, a gostar de maquiagens, de combinar as roupas e os sapatos com a fivelinha do cabelo. E ela só sai de casa impecavelmente linda montada sobre suas saias e vestidos porque princesa não usa shorts e calças. E não insista. Ela jura que é a princesa de um conto de fadas, com direito a castelo e príncipe montado num cavalo branco.
Para ela nós guardamos todo o amor que jurávamos sentir, mas que só passou a existir de fato quando ela chegou. Para ela eu dediquei muito dos esforços da minha vida para poder sempre ficar por perto e ver cada vez mais o seu sorriso. Por ela eu vi meu pai amolecer o coração e chorar como menino pelo simples fato dela existir. Por ela eu vi minha mãe se deixar ser boba, porque faltava força pra ser qualquer coisa mais que avó. Através dela eu conheci Deus da forma mais pura que jamais imaginei conceber, porque ela é a prova de que o amor divino existe em forma da perfeita concepção da vida.
Ela nunca me pediu a benção, nunca me chamou de madrinha, mas foi confiada a mim como sua segunda mãe há muito tempo atrás. E eu que nunca quis ser mãe cheguei a me questionar se havia como amar alguém no mundo mais que a ela. E ela me fez querer ter os meus próprios filhos para que ela pudesse ter com quem brincar. E ela me olha de baixo dos seus um metro e pouco de altura e me mata do coração quando pergunta por que eu tenho que ir embora. E a mim só resta me despedir com lágrimas nos olhos e contar os dedos para o próximo final de semana chegar logo.
Quando eu era criança conheci as princesas dos contos de fadas dentro da minha fantasia, mas logo a vida que me amadureceu me ensinou também que princesas não existem. Mas a mesma vida que me fez entender a duras penas que contos de fadas são histórias para as crianças me trouxe a possibilidade de amar incondicionalmente um ser que se quer ao menos tem ideia da dimensão do amor que sentimos por ela. E se parar pra pensar direito, uma princesa é apenas uma menina de cabelo e rosto lindos, amada por todos, vaidosa, romântica e sonhadora que merece da vida uma felicidade eterna digna de conto de fadas. Exatamente como ela. A eterna princesa da minha vida.
Feliz Aniversário.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Mais da Vida
Só se fala do polêmico depoimento da Xuxa na TV. É impressionante como as pessoas ainda se percebem chocadas diante da obviedade de que os nossos ídolos são pessoas normais como todos nós, pessoas que vivem uma vida com um pouco mais de glamour, é bem verdade, mas que também escondem traumas, desejos, segredos de uma vida inteira. Quantas pessoas, normais como nós, vivem uma longa vida de aparências e quando a velhice vai chegando descobre que o que menos importa é a imagem que vendem pras pessoas? Quantas pessoas, normais como nós, saem do armário depois dos 50 e chocam as pessoas com a simplicidade de quem conta apenas uma história qualquer? É como se o relógio interno começasse a correr mais rápido e a decisão mais importante é apenas viver o tempo que resta de forma mais leve, carregando menos malas sobre os ombros. Aí o nível de coragem que sempre pareceu inatingível surge de forma inesperada e lá se vão anos de trauma guardado dentro do peito, que esperava apenas o momento certo de ser jogado ao vento. Passou.
Em um mundo onde ter é mais importante do que ser, é extremamente válido perceber que a uma certa altura da vida, o que menos importa é o dinheiro que se tem, a fama acumulada ou um punhado de gente que jura te amar, mas que nem imagina o que se passa no teu coração. O que se pode acumular dentro das nossas malas são os lugares que você visitou, as pessoas que você conheceu e o que você fez de cada um desses momentos. O resto é apenas parte da travessia.
sábado, 19 de maio de 2012
O Bom Filho à Casa Torna
Escrevo em blogs desde que me entendo por gente. Tudo começou no meu aniversário de 10 anos, quando ganhei meu primeiro diário com cadeadinho e tudo. Eu tinha o desafio de preencher aquelas páginas, pouco a pouco todos os dias. Podia ser um pensamento, um papel de bala, um ingresso de cinema, qualquer coisa que me remetesse àquela época, tempos depois. Os diários de papel foram sendo substituídos pelas agendas e logo depois pelos blogs. Lembro que eu passava as noites escrevendo em cadernos e digitava de manhã, bem cedinho, no computador do trabalho antes que alguém chegasse. E assim criei a necessidade de colocar pra fora minhas opiniões, sentimentos e desejos, não importasse o que os outros pensassem disso. Eu só queria poder escrever.
Mas é difícil não se preocupar com o que a opinião alheia. As críticas são sempre mais comuns que os reconhecimentos. O fato é que a roda da vida girou e passei uns quatro anos sem escrever. Mas aí, num sábado de manhã qualquer, eu acordei com aquele desejo de 15 anos atrás, o mesmo que me fazia acordar mais cedo pra ir ao trabalho e conseguir postar alguma bobagem escrita do dia anterior. E eu me coloquei de volta. Desejem-me sorte.
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