Só se fala do polêmico depoimento da Xuxa na TV. É impressionante como as pessoas ainda se percebem chocadas diante da obviedade de que os nossos ídolos são pessoas normais como todos nós, pessoas que vivem uma vida com um pouco mais de glamour, é bem verdade, mas que também escondem traumas, desejos, segredos de uma vida inteira. Quantas pessoas, normais como nós, vivem uma longa vida de aparências e quando a velhice vai chegando descobre que o que menos importa é a imagem que vendem pras pessoas? Quantas pessoas, normais como nós, saem do armário depois dos 50 e chocam as pessoas com a simplicidade de quem conta apenas uma história qualquer? É como se o relógio interno começasse a correr mais rápido e a decisão mais importante é apenas viver o tempo que resta de forma mais leve, carregando menos malas sobre os ombros. Aí o nível de coragem que sempre pareceu inatingível surge de forma inesperada e lá se vão anos de trauma guardado dentro do peito, que esperava apenas o momento certo de ser jogado ao vento. Passou.
Em um mundo onde ter é mais importante do que ser, é extremamente válido perceber que a uma certa altura da vida, o que menos importa é o dinheiro que se tem, a fama acumulada ou um punhado de gente que jura te amar, mas que nem imagina o que se passa no teu coração. O que se pode acumular dentro das nossas malas são os lugares que você visitou, as pessoas que você conheceu e o que você fez de cada um desses momentos. O resto é apenas parte da travessia.