terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A História de um Bebê

Decidir ter um filho não é tarefa fácil. Bate aquele medo de não saber como cuidar, de como educar, do que ensinar para aquela criança que terá a mim como referência de vida. Pinta aquela preguiça de todas as noites em claro que virão, o sono da noite que nunca mais será o mesmo pelo menos enquanto eu viver. Surge de lá de dentro aquele egoísmo pesado de pensar em abrir mão de todos os meus sonhos individuais em troca dos sonhos dele. E aí eu tive medo de não ter uma criança perfeita, de que meu casamento não resistisse a um filho, de não ser a mãe que eu precisava ser pro serzinho que ainda nem morava em mim, mas que já estava rodeando os meus pensamentos há um tempo. E eu conversei com amigos com e sem filhos, com amigas queridas, com a terapeuta, com a colega de trabalho, até com quem eu não conhecia, sempre tentando encontrar aquela resposta definitiva que sanaria todas as minhas dúvidas e supriria todos os meus anseios. E eu li um sem número de livros, o google já não sabia mais como me ajudar a pesquisar o que eu queria encontrar, peguei revistas e artigos sem fim e nada, nada trazia a tal resposta perfeita.
E aí eu fechei os olhos e rezei. Rezei pra Nossa Senhora Aparecida lá de dentro do templo dela e só pedi que ela acalmasse o meu coração e me trouxesse a plenitude que eu precisava encontrar para ser a mãe que eu queria ser. E como não há nada que você peça de todo o seu coração que Deus não te conceda, dia após dia aquela transformação que eu esperava foi acontecendo calmamente dentro de mim, me preparando para o que haveria de vir. E meses depois, mesmo sem mais pedir, mesmo sem esperar, um exame de farmácia me trouxe a notícia mais temida e mais feliz que eu já recebi na vida: eu vou ser mãe.
E antes que você me pergunte, não eu não encontrei a resposta que eu queria ouvir e hoje eu sei que ela nunca virá. Ainda não sei se saberei cuidar dele, não tenho certeza do que vou querer ensiná-lo, nem imagino se vou suportar todas as noites em claro embaladas por um choro, não sei se ele virá perfeito, tampouco se meu marido ainda vai me amar ao final desses nove meses e além disso. Mas de uma coisa eu tenho certeza: de que eu já sinto um amor enorme se movendo dentro de mim, amor esse que nunca imaginei sentir. E o mais importante: esse amor que vai me trazer a força que eu preciso para ser a mãe que eu quero ser.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Quando nasce uma mãe

Dizem que você se sente mãe no momento em que descobre que tem um ser crescendo dentro de você. Comigo não foi assim. Na verdade minha vida mudou desde aquele instante em que as duas listrinhas vermelhas apareceram pra mim. Eu não podia mais beber, comer bobagem, escolher quando dormir, chorar quando estivesse triste, eu já não tinha mais controle do meu corpo e das minhas emoções, as coisas simplesmente aconteciam sem que eu conseguisse explicar por que. Mas me sentir mãe mesmo, acho que nem quando eu vi o feijãozinho piscando na tela da ultrassonografia: eu me senti coadjuvante de um milagre divino. Entender como duas células vão se transformando em uma pessoa assim, de carne, osso e sentimentos, vai além da nossa capacidade intelectual. É coisa que só Deus explica. Eu acho que a mãe nasceu dentro de mim junto com aquela primeira lágrima não explicada descendo do meu rosto, no momento em que aquele médico me olhou com olhos de dúvida e me falou que era melhor procurar um hospital para explicar aquele conjunto de coisas que eu estava sentindo. E eu chorei copiosamente de medo, puro medo de que meu filho fosse embora antes mesmo de chegar. E meu coração não se acalmou enquanto não vi a imagem dele no ultrassom, saudável e ativo, crescendo mais rápido do que eu poderia imaginar. Ele girava em torno dele mesmo com sua coluna cervical brilhante e seus bracinhos e perninhas ainda curtos, mas já tão rápidos e vivos. Ali eu entendi que a mãe que eu preciso ser já existe. E ela sofreu de medo só com a possibilidade de perder aquele serzinho que ela nunca viu diante dos olhos, mas que é parte dela como nada nunca foi na vida. E ali nasceu uma mãe. Para nunca mais voltar.