Decidir ter
um filho não é tarefa fácil. Bate aquele medo de não saber como cuidar, de como
educar, do que ensinar para aquela criança que terá a mim como referência de
vida. Pinta aquela preguiça de todas as noites em claro que virão, o sono da
noite que nunca mais será o mesmo pelo menos enquanto eu viver. Surge de lá de
dentro aquele egoísmo pesado de pensar em abrir mão de todos os meus sonhos
individuais em troca dos sonhos dele. E aí eu tive medo de não ter uma criança
perfeita, de que meu casamento não resistisse a um filho, de não ser a mãe que
eu precisava ser pro serzinho que ainda nem morava em mim, mas que já estava
rodeando os meus pensamentos há um tempo. E eu conversei com amigos com e sem
filhos, com amigas queridas, com a terapeuta, com a colega de trabalho, até com
quem eu não conhecia, sempre tentando encontrar aquela resposta definitiva que
sanaria todas as minhas dúvidas e supriria todos os meus anseios. E eu li um
sem número de livros, o google já não sabia mais como me ajudar a
pesquisar o que eu queria encontrar, peguei revistas e artigos sem fim e nada,
nada trazia a tal resposta perfeita.
E aí eu
fechei os olhos e rezei. Rezei pra Nossa Senhora Aparecida lá de dentro do
templo dela e só pedi que ela acalmasse o meu coração e me trouxesse a
plenitude que eu precisava encontrar para ser a mãe que eu queria ser. E como
não há nada que você peça de todo o seu coração que Deus não te conceda, dia
após dia aquela transformação que eu esperava foi acontecendo calmamente dentro
de mim, me preparando para o que haveria de vir. E meses depois, mesmo sem mais
pedir, mesmo sem esperar, um exame de farmácia me trouxe a notícia mais temida
e mais feliz que eu já recebi na vida: eu vou ser mãe.
E antes que
você me pergunte, não eu não encontrei a resposta que eu queria ouvir e hoje eu
sei que ela nunca virá. Ainda não sei se saberei cuidar dele, não tenho certeza
do que vou querer ensiná-lo, nem imagino se vou suportar todas as noites em
claro embaladas por um choro, não sei se ele virá perfeito, tampouco se meu
marido ainda vai me amar ao final desses nove meses e além disso. Mas de uma
coisa eu tenho certeza: de que eu já sinto um amor enorme se movendo dentro de
mim, amor esse que nunca imaginei sentir. E o mais importante: esse amor que vai me trazer a força que eu preciso para ser a mãe
que eu quero ser.