Quando minha sobrinha Júlia
nasceu, há quase oito anos, eu vivia uma fase meio egoísta da vida. Estava num
emprego legal, ganhava mais que o esperado, ajudava minha família, mas
queria mesmo era me divertir. Nunca havia pensado em casamento, filhos e todo
aquele pacote do qual muitas meninas sonham desde cedo. Mas aí, no dia em que
vi Júlia pela primeira vez, senti lá no fundo do meu coração que alguma coisa
se modificava dentro de mim. Um instinto, um desejo adormecido, não sei
explicar, eu só sei que quis ter aquela felicidade para mim em algum momento da
minha vida. Nada poderia substituir a magia de ver uma criança crescendo um
pouquinho a cada dia e te amando de uma maneira que nada no mundo poderia se
comparar. E ali eu soube que um dia eu seria
mãe, de um filho meu ou de outro alguém, mas eu sabia que um dia eu teria
alguém pra cuidar até que a vida lhe concedesse suas próprias asas. E seria
homem. Seria um menininho de cabelo tigelinha pra quem eu ensinaria a cultura
da minha família, meus valores, meus gostos pessoais, todas aquelas coisas que
a gente sonha em um dia passar pra alguém. E quando meu casamento veio, meus
sonhos se misturaram aos do meu marido. Ele me contou do seu amor pelas
crianças e do desejo profundo de ter um filho e ainda de uma bela amizade que
contaria a história do nome dessa criança. E naquele dia, meu filho de cabelo
tigelinha ganhou um nome que eu nunca poderia contestar, porque ele carregava
consigo uma bagagem de carinho, amizade e cumplicidade dividida entre o Hauryk
e o Alexandre “Índio”, que se foi tragicamente cedo demais, mas que nunca saiu
do coração de quem o conheceu.
E como nada na vida acontece por
acaso, ontem tivemos a certeza de que meu bebê é um menino, assim como sempre
soubemos que seria. E no mesmo dia, em outra situação, tive a chance de
conhecer através de uma fotografia antiga o dono dessa bela história.
E assim começa a história do meu Alexandre, meu
menino, que já vem ao mundo abençoado por alguém muito especial. Seja bem vindo, meu filho.