domingo, 19 de janeiro de 2014

O Pequeno Alexandre e o Grande


Quando minha sobrinha Júlia nasceu, há quase oito anos, eu vivia uma fase meio egoísta da vida. Estava num emprego legal, ganhava mais que o esperado, ajudava minha família, mas queria mesmo era me divertir. Nunca havia pensado em casamento, filhos e todo aquele pacote do qual muitas meninas sonham desde cedo. Mas aí, no dia em que vi Júlia pela primeira vez, senti lá no fundo do meu coração que alguma coisa se modificava dentro de mim. Um instinto, um desejo adormecido, não sei explicar, eu só sei que quis ter aquela felicidade para mim em algum momento da minha vida. Nada poderia substituir a magia de ver uma criança crescendo um pouquinho a cada dia e te amando de uma maneira que nada no mundo poderia se comparar.  E ali eu soube que um dia eu seria mãe, de um filho meu ou de outro alguém, mas eu sabia que um dia eu teria alguém pra cuidar até que a vida lhe concedesse suas próprias asas. E seria homem. Seria um menininho de cabelo tigelinha pra quem eu ensinaria a cultura da minha família, meus valores, meus gostos pessoais, todas aquelas coisas que a gente sonha em um dia passar pra alguém. E quando meu casamento veio, meus sonhos se misturaram aos do meu marido. Ele me contou do seu amor pelas crianças e do desejo profundo de ter um filho e ainda de uma bela amizade que contaria a história do nome dessa criança. E naquele dia, meu filho de cabelo tigelinha ganhou um nome que eu nunca poderia contestar, porque ele carregava consigo uma bagagem de carinho, amizade e cumplicidade dividida entre o Hauryk e o Alexandre “Índio”, que se foi tragicamente cedo demais, mas que nunca saiu do coração de quem o conheceu.  
E como nada na vida acontece por acaso, ontem tivemos a certeza de que meu bebê é um menino, assim como sempre soubemos que seria. E no mesmo dia, em outra situação, tive a chance de conhecer através de uma fotografia antiga o dono dessa bela história.
E assim começa a história do meu Alexandre, meu menino, que já vem ao mundo abençoado por alguém muito especial. Seja bem vindo, meu filho.