sábado, 7 de dezembro de 2013

Quando nasce uma mãe

Dizem que você se sente mãe no momento em que descobre que tem um ser crescendo dentro de você. Comigo não foi assim. Na verdade minha vida mudou desde aquele instante em que as duas listrinhas vermelhas apareceram pra mim. Eu não podia mais beber, comer bobagem, escolher quando dormir, chorar quando estivesse triste, eu já não tinha mais controle do meu corpo e das minhas emoções, as coisas simplesmente aconteciam sem que eu conseguisse explicar por que. Mas me sentir mãe mesmo, acho que nem quando eu vi o feijãozinho piscando na tela da ultrassonografia: eu me senti coadjuvante de um milagre divino. Entender como duas células vão se transformando em uma pessoa assim, de carne, osso e sentimentos, vai além da nossa capacidade intelectual. É coisa que só Deus explica. Eu acho que a mãe nasceu dentro de mim junto com aquela primeira lágrima não explicada descendo do meu rosto, no momento em que aquele médico me olhou com olhos de dúvida e me falou que era melhor procurar um hospital para explicar aquele conjunto de coisas que eu estava sentindo. E eu chorei copiosamente de medo, puro medo de que meu filho fosse embora antes mesmo de chegar. E meu coração não se acalmou enquanto não vi a imagem dele no ultrassom, saudável e ativo, crescendo mais rápido do que eu poderia imaginar. Ele girava em torno dele mesmo com sua coluna cervical brilhante e seus bracinhos e perninhas ainda curtos, mas já tão rápidos e vivos. Ali eu entendi que a mãe que eu preciso ser já existe. E ela sofreu de medo só com a possibilidade de perder aquele serzinho que ela nunca viu diante dos olhos, mas que é parte dela como nada nunca foi na vida. E ali nasceu uma mãe. Para nunca mais voltar.
 

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