Na verdade, não foi assim tão de repente. Ele já vinha me espiando há algum tempo, de longe, cada vez criando um pouco mais de coragem e chegando perto. Cada vez mais perto. Ontem ele me bateu à porta e eu o deixei esperando do lado de fora um pouco mais. Eu ainda queria fazer algumas coisas antes de me assumir balzaquiana. Hoje não teve jeito: o dia começou como de costume, só que teve presente de manhã, abraço apertado, aquele olhar de quem fez alguma coisa errada, com o velho medo de errar na escolha do presente. Ele tenta, eu sei. E o seu mérito está todo aí. Mas aí teve lágrimas no caminho pro trabalho, talvez porque eu sempre deseje mais do que recebo. Talvez porque eu crio expectativas demais em cima de tudo e aí fica difícil adivinhar como me fazer feliz. Na verdade é tão simples: seja romântico. Não há como errar partindo desse princípio.
E quem me viu há 3 anos atrás, sentada sozinha na mesa de um bar esperando a chegada dos amigos que nunca vieram me prestigiar, hoje pouco compartilha da minha vida. A roda girou e quem estava comigo naquele 27 de janeiro ainda está por aqui. Seja sentado ao meu lado na mesa do trabalho, seja no interurbano me chamando ao celular, seja no recado de algum site de relacionamento. Quem deveria estar, simplesmente está. E eu parei de sofrer por menos que isso. Hoje só o que importa.
E eu que pensei que chegaria aos 30 com um turbilhão de sentimentos se mexendo dentro de mim, confesso que a calmaria do dia me surpreende. Cheguei melhor do que eu imaginava. Realizei mais sonhos do que me permiti sonhar nesses anos. Vivo hoje uma vida muito diferente do que eu esperava aos 25. Imaginava menos felicidade, embora soubesse exatamente o que eu merecia. Eu costumava dizer que eu sairia de casa antes dos 30, moraria sozinha e minha companhia seriam meus livros, meus gatos e minha agenda de telefone, cheia de consolos pra solidão. Mas Deus foi generoso comigo. Não haveria como eu ser mais feliz.
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