quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sobre Amor e Tempo

Um relacionamento longo nos faz aprender uma série de coisas sobre o outro, mas principalmente sobre nós mesmos. Quando entramos em uma relação, é claro que estamos apostando todas as nossas fichas para que ela dê certo. E dar certo nada tem a ver com longevidade, mas com construir uma história de carinho, paixão, comprometimento, companherismo, tolerância, respeito. E quando essas coisas existiram e a entrega foi real e verdadeira, mesmo que acabe, podemos bater no peito com orgulho e dizer que o tal relacionamento acabou, mas deu certo pelo período que tinha que dar.
 
Eu aprendi com o tempo que cada um de nós muda um pouquinho todo dia em função desta relação. Vamos nos moldando pra nos ajustarmos ao outro e vice-versa. Tipo ir no cinema assistir filme de super herói com o marido porque ele ama, mesmo que você mal consiga esperar o filme terminar pra sair correndo da sala, ou sei lá, abraçar os amigos dela como se fossem seus, apesar de haver um abismo enorme de diferença de idade entre vocês. Isso é saudável, natural e faz parte de toda relação. O problema está quando isso acontece de forma unilateral ou quando nos anulamos para viver em funcção do outro, para ser perfeito do ponto de vista dele. Aí nos perdemos pelo caminho e a nossa essência fica pra trás. E quando eu digo essência, eu quero dizer todos aqueles detalhes que fazer você ser quem é; o jeito como se veste ou prefere deixar a barba, seu gosto para música, literatura, bebidas, comidas, o comportamento com sua família, o futebol das quartas, a cama compartilhada com a irmã mais nova nos dias mais cinzas. A tolerância em relação aos problemas que enfrentamos todo dia, a educação, os valores, os sonhos. Tudo isso precisa ser partilhado, e se não der, obrigatoriamente respeitado. Imagina se olhar no espelho e não se reconhecer mais naquele corpo? Nem terapia diária resolve.
 
Pra mim, amor que é amor, começa amor desde o primeiro dia. Tem a paixão que é louca no começo e vai esfriando com o tempo, tem a vontade de fazer tudo com o outro e que depois exige individualidade, tem a cilada de aceitar tudo, remediar tudo, relevar grosserias e impaciências e que com o tempo vai se ajustando e tomando o seu lugar. É normal. Mas a admiração, o desejo, a vontade de dividir a vida com aquela outra pessoa, o respeito, a confiança, o comprometimento com aquela relação, esses permanecem, sejam como  for.  Se esse “amar” exige um esforço sobrenatural,  noites sem dormir, e-mails longos e profundos diários pra si mesmo, me desculpe, mas não é amor. Você está se debatendo dentro de uma relação pra que ela dê certo de toda forma. Você está esquecendo a parte mais importante que pauta qualquer relação acima desse “amor” defendido com unhas e dentes, que se chama RESPEITO. Pra mim, a conta é simples: se não tem respeito, não tem vontade de mudar, não tem esforço de ambas as partes, não tem maturidade, sobra o quê?
 
Relacionamentos são trabalhosos, tenho certeza disso. E se o outro está de mãos dadas com você para que esses ajustes aconteçam e vocês possam viver uma relação de entrega total, sem tantas idealizações, mas pautada em vida real, vá em frente. Só não esqueça de uma coisa: não dá pra amar ninguém se não vier primeiro o amor próprio.

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