Um relacionamento longo nos faz
aprender uma série de coisas sobre o outro, mas principalmente sobre nós
mesmos. Quando entramos em uma relação, é claro que estamos apostando todas as
nossas fichas para que ela dê certo. E dar certo nada tem a ver com
longevidade, mas com construir uma história de carinho, paixão, comprometimento,
companherismo, tolerância, respeito. E quando essas coisas existiram e a
entrega foi real e verdadeira, mesmo que acabe, podemos bater no peito com
orgulho e dizer que o tal relacionamento acabou, mas deu certo pelo período que
tinha que dar.
Eu aprendi com o tempo que cada um de
nós muda um pouquinho todo dia em função desta relação. Vamos nos moldando pra
nos ajustarmos ao outro e vice-versa. Tipo ir no cinema assistir filme de super
herói com o marido porque ele ama, mesmo que você mal consiga esperar o filme
terminar pra sair correndo da sala, ou sei lá, abraçar os amigos dela como se
fossem seus, apesar de haver um abismo enorme de diferença de idade entre
vocês. Isso é saudável, natural e faz parte de toda relação. O problema está quando
isso acontece de forma unilateral ou quando nos anulamos para viver em funcção
do outro, para ser perfeito do ponto de vista dele. Aí nos perdemos pelo
caminho e a nossa essência fica pra trás. E quando eu digo essência, eu quero
dizer todos aqueles detalhes que fazer você ser quem é; o jeito como se veste
ou prefere deixar a barba, seu gosto para música, literatura, bebidas, comidas,
o comportamento com sua família, o futebol das quartas, a cama compartilhada
com a irmã mais nova nos dias mais cinzas. A tolerância em relação aos
problemas que enfrentamos todo dia, a educação, os valores, os sonhos. Tudo
isso precisa ser partilhado, e se não der, obrigatoriamente respeitado. Imagina
se olhar no espelho e não se reconhecer mais naquele corpo? Nem terapia diária
resolve.
Pra mim, amor que é
amor, começa amor desde o primeiro dia. Tem a paixão que é louca no começo e
vai esfriando com o tempo, tem a vontade de fazer tudo com o outro e que depois
exige individualidade, tem a cilada de aceitar tudo, remediar tudo, relevar
grosserias e impaciências e que com o tempo vai se ajustando e tomando o seu
lugar. É normal. Mas a admiração, o desejo, a vontade de dividir a vida com
aquela outra pessoa, o respeito, a confiança, o comprometimento com aquela
relação, esses permanecem, sejam como for. Se esse “amar” exige um esforço sobrenatural, noites sem
dormir, e-mails longos e profundos diários pra si mesmo, me desculpe, mas não é
amor. Você está se debatendo dentro de uma relação pra que ela dê certo de toda
forma. Você está esquecendo a parte mais importante que pauta qualquer relação
acima desse “amor” defendido com unhas e dentes, que se chama RESPEITO. Pra
mim, a conta é simples: se não tem respeito, não tem vontade de mudar, não tem
esforço de ambas as partes, não tem maturidade, sobra o quê?
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